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autoBEEografia - how I met @maddyrain, por Kelly Caleche

Nhaí, bunytos e bunytas do meu Brazyl! Enquanto aquela vadya da @rosana finge que não me conhece, eu ainda tenho que escrever pra um blog de menos audiência... Mas isso é temporário! Daqui a pouco eu e ShaShashá começaremos uma turnê de terapia sexual pra divulgar o blog e seremos mais famosas que o @realwbonner!

Tomei gosto por contar histórias do passado... A autoBEEografia anterior desenterrou tantas memórias... A adolescência, os cafuçus pós-puberdade, os vestiários da educação física, os hormônios à flor da pele, as cinco seereereeckas diárias... Hojy vou contar uma outra história do passado: outro encontro de DIVAS! Agora vocês saberão como eu conheci La Reina Del Anal, La Diva Del Step, o Edi Mais Celebrado da Grande São Paulo: MADDYRAIN!

Nossa história começa sem glamour nenhum... Aliás, é até vergonhoso... Confesso, bilus... Eu conheci a Maddyrain pelo........ ORKUT! Nós duas participávamos passyvamente de uma comunidade chamada "Lokas do Edi por Maquiagy!". A primeira vez que me deparei com minha ameega do silicone Maddyrain foi no tópico "[OFF] melhor marca de peruca pra AHHAZZAR no BATCHY-CABELO". Não parece atitude da Diva House que ela é, mas Maddyrain, quando fica colocada, ahhazza no batchy-cabelo, no tecnobrega e até mesmo no forró universitário!

Com o tempo percebi que aquela travinha dava edicas mais preciosas que as outras e logo começamos aquela amizade típica de passivinhas no orkut: troca scraps, depois troca MSN. Foi tudo em bom tempo, pois logo em seguida a comunidade foi invadida por uma bilu do mal, virgem e mal amada, que insistia em dar dicas de photoshop pra esconder as espinhas. A não-bunyta ficava reclusa em casa, não saía pra buatchi e não conhecia os milagres que uma base, um corretivo e o ROACUTAN fazem...

Era junho. Toda travesti do eixo norte-nordeste PRECISA viajar para São Paulo pelo menos uma vez por ano, pra renovar o estoque de perucas e bling-bling na 25 de março, o piriguete-wear do Brás e, claro, mergulhar no poço cultural oferecido pela Augusta... No dia seguinte ao meu arrival, liguei pra nova ameegue:

- Alôin! *slurp*
- Maddyrain?
- Alôin! *chup*
- Bunita, é Kelly!
- Inhaím!!! *smack*
- Ay, vc é de poucas palavras, hein?
- Amô, tô pagando um kétjy agora! Calma, Fábio, é uma ameega da selva amazônica, olha que exotiqué!
- Tô na city, bee! Vamu sincontrar?
- Já éan.

Meia hora depois, nos encontramos na entrada do meu hotel, o pardieiro de bilus, a sauna gay das turistas, o Formule 1 da Consolação.

- Inhaím!
- Maddyrain! Nossa, você é mais alta do que aparenta nas fotos!
- E você é menos feia! Vamos logo que o tempo urge!

Começamos a andar em direção à estação de metrô, quando Maddy notou que algo estava errado.

- Gata, vem cá, tá gagada? Por que você tá andando assim, toda aberta?
- Ay amee... Ontem eu fui à Tunnel e... Tô toda assada!!!
- Magueguéisso? Não tem buatchi lá na selva?
- Gata... eu quis interpretar o papel, entendjy? O nome do lugar é Tunnel, eu quis virar um Tunnel. Mal cheguei lá e um cafuçu super do bem já me abordou...
- Nossa, que gata! Você vem sempre por aqui?
- Gato, essa cantada é velha até lá no Amazonas!
- Você é do Amazonas? Que diferente. Nunca trepei com ninguém do Amazonas.
- Ainda.
- Mácomassim? Você fica assada por causa de UM cafuçu? Gata, você tá precisando praticar mais! Vou te ensinar: você começa com uma cenoura, passa pro quiabo, depois um pepino, aí você tenta uma abobrinha e com a prática você já consegue colocar até um melão! O meu edi é super hortifruti!
- Ai, gata. não é à toa que você é La Reina Del Anal, o Edi Mais Celebrado da Grande São Paulo! Um dia ainda vou ter um edi tão elástico como o seu!
- Elástico??? Ok, Ok. Abaphe the case! Mas vamos cuidar do seu edi sofrido, gata! Tenho uma pomada que é um looshu! Ali tem uma farmácia!
- Drogaria Farto? Que referência Babado!
...
- Inhaím!
- Srta. Maddyrain! Um Nebacetin, né?
- Ai que loucura! Sou cliente preferencial! Tá aqui, bunita! Espreme o tubinho nas extremidades desse edi arrombado!
- Obrigada, amiga!
- Obrigada nada, bunita! Ahhazza ali no caixa que eu não vou pagar isso!

E foi assim que eu e Maddyrain nos tornamos travinhas inseparáveis! Maddyrain é uma grande, amiga além de ser a detentora do conhecimento do Nebacetin, sem contar com todos os outros títulos oficiais de Maddyrain que todos já conhecem e que já foram citados...

Então aproveita e visita o blog da minha travamiga! o Linha Quente da Maddyrain não tem só histórias divertidíssimas, também tem links pra baixar remixes babadeiros, todos com a aprovação (ou rejeição) da bunyta!

autoBEEografia, por Kelly Caleche

Nhaí, meus amores... Sentiram minha falta? Achavam que eu estava morta? Ainda não!

Então, os 3 leitores assíduos desse bluóg já devem ter entendido como funciona a dinâmica de posts de KC... Eu apareço, assim, uma vez por mês e escrevo qualquer merdinha sobre alguma celebridade só pra manter meu posto de co-autora do bluóg! O post de hojy não vai ser diferentchy!

Vou contar pra vocês sobre um encontro de titãs... Uma releitura manauara de uma história clássica. A gorda e a magra, A gata e a rata, A puta e a mais puta!

É isso mesmo, viadada! Hojy vcs vão ficar sabendo como eu conheci minha ameega ShaShashá, bem antes de ela tentar se tornar a próxima Solange Frazão (a bunyta tá fazendo a dieta da linhaça! ela põe linhaça em tudo, do sundae à buchada de bode).

Tudo começou numa bela tarde de verão em Manaus. Meus amores, sempre é verão em Manaus. Estava eu, L&A numa pacata sala de aula de um pacato colégio tradicional do pacato centro da cidade. Ocorreu um grande erro de cálculo estequiométrico e fui removida da turma dos nerds e viadinhos, pra ser jogado junto com os repetentes, vândalos, biscates e travestis do mal. Foi lá e então que conheci a pessoa que mudaria minha vida pra sempre: Altemar Alexsandro Uiliames de Almeida.

Eram os anos 90 e Altemar era a personificação da bicha neo-cult. Usava camisetas com motivos de Laranja Mecânica, ouvia Pizzicato Five e tinha uma estranha aversão a banhos. Como éramos os outcasts no meio de tanta putaria, fomos instantaneamente atraídos uma ao outro. Sentávamos lado a lado, trocávamos bilhetinhos, emprestávamos CDs e VHS (anos 90, bee, SISSITUA) com recomendações... Assim cresceu uma bela amizade, uma união que seria conhecida no colégio inteiro como "aquelas duas bichas da 203".

Apesar de todo o bullying sofrido por nós duas, eu ainda não tinha certeza das intenções sexuais de Altemar. Ele era tão phemynyna, com um gosto tão singelo e, quando andava, sua bundona farta passeava de leste a oeste, e de volta. Mesmo assim, Altemar insistia que tinha uma namorada chamada Victoria. Eu devia ter desconfiado nesse momento: ninguém em sua sã consciência tentaria disfarçar sua viadagem inventando uma namorada com nome de SPICE GIRL! Mas eu era uma bilu inocente, mocinha, ainda estava no meu terceiro ciclo menstrual e os peitinhos mal tinham começado a brotar.

Um belo dia, Altemar telefona para minha residência com uma confissão chocante. Lembro como se fosse hoje: eu estava de babydoll, sozinha no quarto que dividia com meu irmão Valdisney Miquemáuseo Junior, deitada em minha cama, com as perninhas pra cima, quando Altemar começa o seu discurso bem treinado:

- Amee, sabe o que é? Preciso te contar uma coisa... Acho que a nossa amizade já cresceu o bastante e podemos confiar um no outro a esse ponto. Victoria não é minha namorada. Na verdade, eu sou gay e Victoria é o nome que uso quando me monto.
- Gente, tô passado.
- E vc, amee, não tem nada pra me contar, não?
- Eu não! a gente se fala mais tarde!

Altemar ficou deveras decepcionado com minha resposta e frieza ao telefone. Cinco minutos depois, retornei a ligação:

- Bee, sou viada também.
- Ahhazzou.

No dia seguinte, matamos aula no colégio e fomos assistir a um clássico cinematográfico no Cine Charles Chaplin, que hoje em dia é o cinemão mais bem frequentado de Manaus. Uma outra ameega nossa da época desse pacato colégio hoje em dia é conhecido como "A Advogada do Cinemão", mas isso é história pro post do mês que vem, ou não! Enfim, o clássico cinematográfico em questão era "Cara, Cadê Meu Carro?" (Dude, Where's My Car?). Seann William Scott, cadê vc? MYLYGA!!! O filme é tão bom que acabamos assistindo duas vezes seguidas.

No meio da segunda sessão, duas rachinhas malvadas entraram no cinemão e se depararam com nós duas, fazendo as unhas e gargalhando sozinhas (eram as sessões vespertinas de um cinemão do centro durante a semana). No dia seguinte, o colégio inteiro achava que éramos um casal. Em um dado momento, os bullies pegaram a mochilinha pink da Kipling de Altemar, Tiraram várias edições da G Magazine e pregaram com durex no quadro branco da sala. Foi uma lástima. Meses e meses de material siriricário estavam estragados, rasgados, com pontinhas de durex presas justamente na neca dura!

Altemar não aguentou a humilhação e pediu transferência para um colégio de freiras. Não o vi por quase 7 anos, até que um dia nos encontramos no dark room na buatchy. Altemar estava 20kg mais gorda, mas mantinha a mesma carinha de passiva que eu já conhecia. Foi um escândalo. Estava tocando Get Together, da mamãe, e nós duas soltamos gritos tão estridentes que o globo da buatchy rachou. Voou acrílico pra todo lado! O diálogo de reencontro foi mais ou menos assim:

- BUNYTA!
- PHEMYNYNA!
- AMYGA, nem acredito! Que saudades que eu tenho de você!
- Ai, bee, Ahhazzou na makeup! Shiseido?
- Contém 1g!
- Loosho!
- Ain, me conta! O que tem feito?
- Bee, vai ter um after na casa de uma amiga, vamos todas montadas. Eu sou Kelly Calèche, e vc pode ir de Victoria... Que tal?
- Ai, mulher... Victoria é tão 1998. MuDEI faz tempo! Troquei as G Magazine por DVDs de filmes brasileiros dos anos 70 e 80 e me tornei Shana Shanshada!
- AHHAZZOU!